Psicanálise Freudiana



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Ocupação

ROTEIRO
1-Introdução.
2-Um breve histórico sobre a sexualidade e fases psicossexuais.
3-Fases do desenvolvimento sexual (fases psicossexuais).
3.1- período pré-genital, pré-fálico ou infantil.
3.1.1- Fase oral.
3.1.2- Fase anal.
3.1.3- Erotismo uretral.
3.1.4- Fase fálica .
a) A angústia de castração nos meninos.
b) A inveja do pênis nas meninas.
3.2-Período Intermediário.
3.2.1- Fase Edipiana.
a)A formação do superego.
b)A Resolução do conflito Edipiano.
c)Caso o conflito edipiano não seja satisfatoriamente resolvido o que pode ocorrer.
d)Causas de uma solução não-satisfatória do estágio Edipiano.
3.2.2- Fase de latência.
3.2.3- Fase de maturação psicossexual ou puberdade.
3.2.4- Fase adolescência final e adulto jovem.
3.2.5-A sexualidade do idoso.
4-A sexualidade infantil e a psicanálise.
5-Os transtornos de sexualidade.
5.1-Disfunção sexual não causada por transtorno ou doença orgânica (F52).
5.1.1-F 52.0- Falta ou perda de desejo sexual.
5.1.2-F 52.1- Aversão sexual e ausência de prazer sexual.
5.1.3-F 52.2- Falta de resposta genital.
5.1.4-F 52.3- Disfunção orgástica.
5.1.5-F 52.4- Ejaculação precoce.
5.1.6-F 52.5- Vaginismo não-orgânico.
5.1.7-F 52.6- Dispareunia não-orgânica.
5.1.8-F 52.7- Impulso sexual excessivo.
5.2-Transtornos de identidade sexual (F64).
5.2.1-F 64.0- Transexualismo.
5.2.2-F 64.1- Transvestismo de duplo papel.
5.2.3-F 64.2- Transtorno de identidade sexual na infância.
5.3-Transtornos de preferência sexuais (F65).
5.3.1-F 65.0- Fetichismo.
5.3.2-F 65.1- Transvestismo fetichista.
5.3.3-F 65.2- Exibicionismo.
5.3.4-F 65.3- Voyeurismo.
5.3.5-F 65.4- Pedofilia.
5.3.6-F 65.5- Sadomasoquismo.
5.3.7-F 65.6- Transtornos múltiplos ; e outros transtornos.
a) Necrofilia.
b) Zoofilia.
c) Incesto.
d) Gerontofilia.
5.4-Tratamento.
6-Bibliografia.

1-INTRODUÇÃO
Raramente os filósofos trataram do sexo como componente do homem. Em o Banquee, de Platão, ao falar da origem do sexo, Aristófanes expõe o mito dos andróginos, dos quais, por meio de uma separação desejada por Zeus com fins punitivos, ter-se-iam originados os dois sexos complementares, mas as especulações platônicas não versam propriamente sobre o sexo, mas sobre o amor. Na bíblia, Deus, de um só, fez toda a geração dos homens. Primeiro foi formado Adão e depois Eva que caíram no pecado do fruto proibido.
Sexologia é o estudo da sexualidade, e sexualidade em termos práticos é aquela que traz prazer às pessoas envolvidas, sem prejudicar ou molestar uma delas. É mais fácil definir sexualidade anormal, que é o comportamento sexual destrutivo para o próprio indivíduo ou para outros, ou está associado à sensação de ansiedade, medo, culpa, ou é compulsivo (com - pulsões).
Em “As pulsões e suas vicissitudes” (1915), Freud define pulsão como um conceito entre o mental e o psicológico, o representante psíquico dos estímulos originados no organismo e que chegam à mente. Ele sempre se preocupou pois com o estágio dos conhecimentos psicológicos a respeito das pulsões. Estas são portanto forças incontroláveis que determinam as representações inconscientes. As atividades pulsionais que anseiam pela exteriorização objetiva são na maior parte do tempo deslocadas e explicadas, em nome de uma teoria pronta, verdade inscrita e supostamente inquestionável sobre a natureza humana
A personalidade do indivíduo está intimamente relacionada à sua sexualidade. Para Freud, todos os impulsos e atividades prazerosas são sexuais. Freud foi o primeiro a descrever o impacto das experiências da infância sobre o caráter do adulto, reconhecendo a atividade e o aprendizado sexual das crianças. A maior causa dos conflitos conjugais está na relação sexual e na sexualidade, confirmando as teorias de Freud sobre a origem das neuroses.
O comportamento sexual é muito variável de pessoa a pessoa, e é influenciado por fatores biológicos, culturais e psicológicos. Participam, ainda, a percepção individual de ser homem ou mulher, e experiências com o sexo ao longo de toda a vida.
A palavra “sexual” tem despertado reações positivas em uns, e negativas em outros, tendo um conceito mais amplo do que “genital” que designa genitália. O “sexo” é a determinação de masculino - macho ou feminino - fêmea. Sexualidade e erotismo têm a mesma significação, ou seja, designam a sexualidade psicofísica, apoderando-se do corpo e da alma com a mesma impulsão.
Freud mostrou que a vida sexual começa logo após o nascimento e que posteriormente na puberdade tem o objetivo à reprodução. Foram observados sinais de atividade corporal e sexual na infância e que estão associados a fenômenos psíquicos, que são representados na vida erótica adulta, tais como a fixação a objetos específicos, ciúmes, etc. A maturidade sexual se desenvolve após a puberdade, sendo que na mulher até os trinta anos e no homem, um pouco além.
Os caracteres sexuais primários dominantes são os órgãos genitais que são definidos na fase fetal, onde no homem estão os testículos que produzem os espermatozóides e na mulher são os ovários, localizados no útero e que produzem os óvulos. Os caracteres secundários são o conjunto de fatores corporais e psíquicos que diferem um homem de uma mulher, tais como o pênis, vagina, a pele, pelos, força física, etc.
Na fisiologia sexual, temos as glândulas que fabricam substâncias com diversos objetivos, tais como o crescimento, fortalecer a estrutura óssea, despertar o apetite alimentício e sexual. As glândulas endócrinas não podem lançar suas substâncias (hormônios) par fora do corpo, logo utilizam a corrente sangüínea sendo transportadas para todo o organismo, exercendo controle de várias funções e conseqüentemente, influência sobre o comportamento do indivíduo. As glândulas supra-renais produzem o hormônio androgênio que na puberdade tem a produção aumentada sendo responsável pelo crescimento dos pelos, pênis, testículos, barba, etc. O timo é a glândula de controle pré-sexual, reguladora do início da sexualidade no homem, devendo regredir e murchar para que se inicie a puberdade. A tireóide garante o vigor ao instinto sexual e a hipófise na dinâmica corporal.
A identidade de gênero é o juízo que o indivíduo tem de sua masculinidade ou feminilidade. A identidade sexual refere-se às características sexuais biológicas (cromossomos, genitália externa, genitália interna, composição hormonal, gônadas e características sexuais secundárias). No desenvolvimento normal formam um padrão único, no qual a pessoa não tem dúvida de seu sexo e apresenta reações biológicas adequadas.
Os órgãos genitais masculinos estão divididos em externos (pênis e bolsa escrotal) e internos (testículos, epidídimo, canais deferentes, vesículas seminais, próstata, canal ejaculatório, uretra e glândula de Cooper). Os órgãos genitais femininos também estão divididos em externos (monte de Vênus, vulva, grandes lábios, pequenos lábios, clitóris, glândulas de Bartholim, Hímen, complacente e elástico, trilabiado, anular, septado, microperfurado, imperfurado e cartilaginoso) e internos (uretra, vagina, útero, trompas de falópio e ovários).
A vida sexual inclui a função de obter prazer das zonas corporais que, subseqüentemente, são postas a serviço da reprodução. Muitas vezes as duas funções não coincidem completamente, pois existem pessoas que são atraídas por indivíduos do mesmo sexo, desconsiderem o órgão sexual ou tem um interesse muito precoce por seu órgão genital.
Os transtornos de preferência sexuais ou parafilias são pouco comuns, sendo sempre motivo de debates e questionamentos médicos e filosóficos. Esses transtornos ocupam uma posição clara no contínuo entre o normal e o anormal. Algumas pessoas são perfeitamente integradas às suas parafilias, fazendo parte importante de sua identidade e modo de vida. Em alguns casos, as parafilias podem acompanhar graves transtornos de personalidade ou psicoses.
Como relatamos acima, a palavra sexo tem vários significados: pode indicar o gênero (masculino ou feminino), a atividade sexual e os órgãos genitais. Já o termo sexualidade, tem uma designação mais complexa, pois abrange todos os pensamentos, emoções e comportamentos relacionados ao sexo. Como sexo e sexualidade envolvem estruturas físicas e psicológicas, e estas estão sujeitas a alterações, a sexualidade dos indivíduos poderá ser comprometida. Estes comprometimentos podem resultar em disfunções sexuais. As disfunções sexuais definem-se como o não funcionamento ou o mau funcionamento da sexualidade de homens e mulheres.
As disfunções sexuais masculinas são denominadas: disfunção erétil (antigamente conhecida como impotência sexual); ejaculação precoce ou prematura (falta do controle sobre a ejaculação) e ejaculação retardada (impossibilidade de ejaculação intra-vaginal ou impossibilidade total de ejaculação).
As disfunções sexuais femininas são denominadas: inibição do desejo sexual; anorgasmia (falta de orgasmo); dispareunia (dor durante a penetração) e vaginismo (contração involuntária dos músculos da vagina que impedem a penetração). As causas destas disfunções sexuais podem ser psicológicas, físicas ou mistas, porém não podemos negar as influências sócio-culturais.
A terapia sexual visa o tratamento destas disfunções e deve ser apropriada às suas causas. Ou seja, se a causa for psíquicas, o tratamento deverá ser feito com psicólogos, psicanalistas, caso seja física o tratamento deverá ser feito com médicos. Já nas causas mistas, é imprescindível o acompanhamento de ambos os profissionais.
Atualmente existem profissionais especializados em sexologia, e como nova área de atuação de psicólogos, psicanalistas, médicos e pesquisadores, surgiu em função da necessidade de obtenção de maiores conhecimentos sobre temas relevantes para a saúde dos seres humanos.


2- UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A SEXUALIDADE E FASES PSICOSSEXUAIS.
Até o final do século passado havia a noção de que o sexo era um instinto que despertava com a puberdade e tinha como objetivo a reprodução. O sexo era entendido em termos da sexualidade genital do adulto. A sexualidade infantil era negada ou considerada como anomalia.
No início do século, as postulações revolucionárias de Freud situam a sexualidade na infância e no inconsciente, ampliando o conceito do termo “sexual”, que deixa de ser sinônimo de “genital”. Essa visão ampliada foi exposta em 1905 nos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”. O termo “sexual”, aparece ligado a um conjunto de atividades não restritas aos órgãos genitais, que começa na infância e não na puberdade, e cuja finalidade é o prazer e não apenas a reprodução. Essas postulações de Freud suscitaram naturalmente numerosas discussões que foram permitindo uma visão nova sobre a sexualidade humana, que começou a ser vista com menos preconceito.
O conceito de normalidade sexual tende a ser considerado como tudo o que é praticado por adultos legalmente capazes, com o consentimento dos parceiros e que não implique lesão física de nenhum dos participantes.
A excitação caracteriza-se essencialmente pela ereção do homem e a lubrificação vaginal na mulher, que se verifica a partir de atividades ou pensamentos estimulantes. O platô, é o estágio de grande excitação e tensão sexual que precede imediatamente o orgasmo. A ereção é completada por vasocongestão do corpo cavernoso do pênis, que aumenta de tamanho e de diâmetro. Nas mulheres há ereção dos mamilos e do clitóris. Essas transformações são acompanhadas de sensação de prazer. O orgasmo é a ejaculação com contrações do cordão espermático, das vesículas seminais, da próstata e da uretra no homem, e contrações vaginais e uterinas na mulher. A fase de resolução é a involução gradativa da ereção, com a volta ao tamanho habitual do pênis e do clitóris em razão da perda da vasocongestão; sensação de relaxamento e bem-estar dos parceiros. Durante essa fase, os homens ficam refratários a novos orgasmos por período que aumenta com a idade. As mulheres são capazes de outros orgasmos, logo em seguida.
Freud (1905/1972) reconstruiu, a partir dos tratamentos de seus pacientes, das observações diretas realizadas por pediatras e por ele próprio e as descrições publicadas de quadros psicopatológicos e de povos primitivos, as diversas fases pelas quais passaria o indivíduo, desde seu nascimento; elaborou a teoria da progressão da libido, do estágio oral para o anal e para o genital com a conseqüente reorganização seqüencial do impulso e da natureza do Id. Erikson (1976) estabeleceu que o indivíduo passa da confiança para a autonomia e para a atividade, através da reorganização seqüencial do Ego e das estruturas de caráter. Spitz (1979) referiu-se aos princípios organizadores que levam a sucessivas restruturações dos precursores do Ego. Mahler (1993) concluiu que o indivíduo vai do autismo normal para a simbiose normal e para a separação-individuação, noção que depois abandonou face à observação empírica contraditória; haveria restruturação do Ego e do Id, mas nos termos da experiência e do eu-e-outro do bebê.
Klein (1974) descreve as posições esquizo-paranóide e depressiva, que levam à restruturação da experiência de eu e outro. Stern (1992) pensa que sua abordagem se aproxima mais às duas últimas, já que a preocupação central é com a experiência de eu-e-outro do bebê, diferindo, entretanto, quanto ao que se considera ser a natureza dessa experiência: a ordem de seqüência do desenvolvimento do senso de self, livre dos obstáculos e das confusões trazidas pelas questões do desenvolvimento do Ego ou do Id.
Todas as teorias psicanalíticas compartilham outra premissa: o desenvolvimento progride de um estágio para o seguinte, sendo cada estágio não apenas uma fase específica para o desenvolvimento do Ego ou do Id, mas também específica para certas questões protoclínicas. As fases do desenvolvimento se referem a um tipo específico de questão clínica que se verá desenvolvendo patologias em etapas posteriores da vida (Stern, 1992). Dois autores citados por Stern (1992), Peterfreund e Klein, criticam este ponto, afirmando que se trata de uma teoria do desenvolvimento que, além de ser retrospectiva, ou seja, descreve por uma reconstrução do passado a partir de estruturas mais evoluídas, traduz-se pela morfologia da patologia.


3- FASES DO DESENVOLVIMENTO SEXUAL (FASES PSICOSSEXUAIS).
Freud foi o primeiro a nos fornecer um quadro claro da grande importância que tem, para nossa vida e desenvolvimento psíquicos e sexuais, a relação com outras pessoas. A primeira delas é naturalmente, a relação da criança com os pais, relação esta que, a princípio, na maior parte dos casos se restringe principalmente à mãe ou à sua substituta. Um pouco mais tarde surge a relação com os irmãos, ou outros companheiros próximos, e o pai.
Freud assinalou que as pessoas às quais a criança se apega em seus primeiros anos ocupam uma posição central em sua vida psíquica que é singular no que concerne a sua influência. Isto é exato, quer o apego da criança a essas pessoas seja por laços de amor, de ódio, ou ambos, sendo o último caso o mais comum.
Nos estágios iniciais da vida, a criança não percebe os objetos como tais e só gradativamente, ao longo dos primeiros meses de seu desenvolvimento, aprende a distinguir sua própria pessoa dos objetos. Também entre os objetos mais importantes da infância, se incluem as várias partes do próprio corpo da criança, isto é, seus dedos, artelhos e boca. Todos eles são importantes como fonte de gratificação, razão pela qual admitimos que sejam altamente catexizados pela libido. Para sermos mais precisos, deveríamos dizer que os representantes psíquicos dessas partes do corpo da criança são altamente catexizados, já que não mais acreditamos, que a libido seja como um hormônio que se pode transmitir a qualquer parte do corpo e lá se fixar. A este estado de libido autodirigida Freud (1914) denominou de narcisismo, segundo a lenda grega do jovem Narciso, que se enamorou de si mesmo.
Os primeiro objetos da criança são chamados de objetos parciais. Com isto significamos, por exemplo, que só depois de muito tempo a mãe existe para a criança como um objeto total. Antes disso, seu seio, ou a mamadeira, sua mão, seu rosto, etc., consistiam, cada um, objetos separados na vida mental da criança, e pode bem ser que mesmo aspectos diferentes do que fisicamente constitui um único objeto seja também, para a criança, objetos distintos, e não unidos ou relacionados.
Só se desenvolve uma relação de objeto contínua na última parte do primeiro ano de vida. Uma das características importantes dessas primeiras relações de objeto é seu alto grau do que chamamos ambivalência. Quer dizer, sentimentos de amor podem alternar em igual intensidade com sentimentos de ódio, segundo as circunstâncias.
As primeiras fases das relações de objeto são comumente designadas como relações de objeto pré-genitais, ou, às vezes, mais especificamente como relações de objeto anais ou orais. O emprego habitual da palavra “pré-genital” neste sentido é incorreto. O termo apropriado seria “pré-fálico”. De qualquer modo, na literatura psicanalítica, as relações de objeto da criança denomina-se comumente, conforme a zona erógena que, no momento, esteja desempenhando o papel mais importante na vida libidinal da criança.
As características da sexualidade infantil, polimorfa e perversa, Freud bem as descreveu em “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”. A sexualidade infantil difere da do adulto em diversos aspectos. A diferença que mais impressiona situa-se no fato da maior excitação não se localizar, necessariamente, nos genitais, mas no fato de que os genitais, a bem dizer, desempenham a parte de “primus inter pares” entre muitas zonas erógenas. Também diferem os objetivos: não levam, necessariamente, ao contato sexual, mas alonga-se em atividades que vêm a desempenhar papel, futuramente, no pré-prazer. A sexualidade infantil pode ser ato-erótica, ou seja, tomar para objeto o próprio corpo ou partes deste. Os componentes que se dirigem para os objetos portam traços arcaicos (objetivos de incorporação, ambivalência). Quando um instinto parcial é bloqueado, reforçam-se, correspondentemente, instintos parciais “colaterais”.
A criança pequena é uma criatura instintiva, cheia de impulsos sexual perversos polimorfo, cheio de uma sexualidade total ainda indiferenciada, a qual contém num só todos os instintos parciais.
Freud sugeriu que se distinguissem dois tipos de excitação : uma que é evocada por estímulos externos, preceptivos, descontínuos; outra que resulta de estímulos instintivos contínuos, dentro do organismo. A assertiva deve, contudo, ser considerada com mais pormenores. Toda a percepção, todos os estímulos sensoriais, quer se originem fora, quer se originem dentro do organismo, têm “caráter provocativo”, isto é, provocam certo impulso à ação.
O papel excepcional que o deslocamento da energia dá aos instintos sexuais foi o ponto de que Freud partiu na sua primeira classificação dos instintos, pelo fato de haver notado que os neuróticos se sentiam mal porque reprimiam certas experiências e porque estas experiências sempre representavam desejos sexuais. As forças que combatiam os desejos sexuais eram a angustia, os sentimentos de culpa, ou idéias éticos e estéticos da personalidade; forças estas contra-sexuais que se podiam sumarizar como “instintos do ego”, vestem servirem a auto-conservação.
Existe a formação de um conflito estrutural onde o ego rejeita, certas exigências do id; e, com base no conceito de ser o ego uma camada superficial diferenciada do id, já não se pode sustentar a esperança de que o ego abrigue, inatamente, outros instintos que não estejam presentes no id. Ainda que as energias instintivas sejam tratadas no ego de modo diverso do que o são no id, há de admitir-se que o ego deriva a sua energia do id, não contendo, primariamente, outros tipos de instintos.
Embora as fases estejam distintamente descritas, é um engano imaginar que elas ocorram absolutamente isoladas, pois elas podem se sobrepor, ocorrerem paralelamente ou coincidir, assim como jamais serão completadas superadas, sendo observado na fase adulta, comportamento que comprova a existência das fases da sexualidade infantil, o que na maioria dos casos ocorre nas neuroses.
Pode-se dividir a sexualidade pré-adulta, de modo geral, em três períodos principais: o período infantil, o período de latência e a puberdade. Hoje em dia se conhece muito bem o começo e o fim do período infantil, ao passo que aquilo situado no meio ainda requer muita pesquisa; possivelmente neste período intermediário, ocorrem variações acidentais mais importantes que as que se dão nas fases inicial e terminal.

3.1- PERÍODO PRÉ-GENITAL, PRÉ-FÁLICO OU INFANTIL.